Ninjutsu Taifujutsu Tamashido
(Por Luiz Beltramin, cjnet.com.br)
     O nome da arte marcial não é dos mais curtos - “ninjutsu taifujutsu tamashido” -, mas seus golpes neutralizam oponentes num piscar de olhos. Com velocidade condizente aos poderosos movimentos da arte milenar dos ninjas, Jéssica Mayumi Saito e Poliana Acácia Leite Rosa, ambas com 17 anos, chegaram, no final de semana, à graduação máxima da tradicional técnica de defesa pessoal.

     Únicas representantes do sexo feminino a obterem essa condição no Estado de São Paulo, as jovens são adeptas do ninjutsu há pouco mais de dois anos. “Isso é fruto de dedicação. Elas são muito focadas nos treinamentos, faça chuva ou faça sol”, elogia Alexandre Dantas, treinador das jovens lutadoras. “Geralmente, o tempo para se chegar a essa graduação varia de três a seis anos”, compara o técnio, que se dedica ao ninjutsu há 28 anos.

     Sem a realização de qualquer atividade de competição, esse ramo das artes marciais, de acordo com Dantas, não é encarado, necessariamente, como uma modalidade esportiva. “Nesta arte marcial não existem campeonatos. Ela é enfocada, em primeiro lugar, no desenvolvimento integral do ser humano”, define.

     Para as lutadoras, a conquista da primeira faixa preta coroa a opção que tomaram por, mais que uma atividade física ou de defesa pessoal, um estilo de vida que prima pela disciplina e responsabilidade. “É uma prática que moldou meu jeito de ser e me propiciou assimilar muitas virtudes, acima de tudo o respeito”, enfatiza Poliana. “A arte marcial molda o caráter e nos deixa mais fortes para assumir responsabilidades”, acentua a “colega de faixa” Jéssica.

     O fato de integrarem a única dupla de lutadoras ninja a envergar a faixa preta, para elas, serve como incentivo na busca por novos objetivos, além de incentivar o recrutamento de novos adeptos. “Queremos mais pessoas na arte e que possam, inclusive, chegar mais longe que a gente”, incentiva Poliana. “Pode ser criança, adulto ou idoso, todos podem iniciar”, reforça.


Arte para a vida

     Apesar dos golpes e armas que podem ser mortais, o ninjutsu, garante Alexandre Dantas, é uma arte marcial voltada à concentração e, principalmente, para a vida. Sua origem é ligada à tradição ninja, com raízes na China e aprimoramento no Japão.

     Sem figurar em eventos esportivos, a arte marcial dispensa o uso de tatames e é mais voltada ao treinamento para defesa pessoal. Com mais de 280 tipos de armas, o ninjutsu tem em suas poderosas técnicas uma eficiente forma de neutralizar oponentes com maior objetividade possível. “Esse é um dos motivos da arte marcial não figurar em competições, pois o objetivo é a rápida finalização com o mínimo de golpes. Nosso propósito é diferente, a gente treina para proteger a vida e moldar a pessoa por dentro e por fora”, conceitua.

     O treinador chama a atenção para a concentração mental, física e espiritual demandada para a prática da modalidade, cujos participantes não podem economizar empenho e dedicação para desempenhar a atividade com sucesso. “O ninja é ensinado a adaptar todas as técnicas aprendidas para o aprimoramento de seu próprio caráter e a influenciar os demais para o aprimoramento conjunto ou o alcance de objetivos individuais e coletivos”, detalha.

     Dantas contabiliza que, atualmente, a arte possui cerca de 1,5 mil praticantes em todo o País, ligados diretamente à Marcial Arts World Federation (Federação Mundial de Artes Marciais), conforme o treinador bauruense, entidade única que rege o ninjutsu, com sede no Estado norte-americano da Flórida.
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