Bujutsu
     É difícil descrever o conceito do Bujutsu. A tradução literal é "arte da guerra" ou "técnicas de guerra" (bu = guerra, jutsu = arte, técnicas). Em suma: técnicas de combate que prezam pela eficiência suprema em situações de combate um contra um ou mais oponentes.

Criada no japão feudal, a escola Takeda Ryu de Aikijujutsu era conhecida como o 'dojô do inferno', pelo sensei Takeda que não poupava as falhas de seus estudantes. Não era raro que ocorressem aleijamentos e morte durante os treinos.
     Com a subida de Nobunaga Oda ao poder, as escolas tradicionais de artes da guerra foram perseguidas, para fortalecer a posição do governo. Como os Takeda tinham laços com a família real antiga, eles foram obrigados a mudar o nome de seu estilo para "Daito Ryu Aikijujutsu", Daito sendo o nome da província onde a escola se localizava.
     Conforme envelhecia, talvez por adquirir sabedoria ou simplesmente por perder o vigor físico da juventude, o sensei Takeda começou a adotar métodos menos 'extremos' de treino. Dois de seus melhores discípulos formaram duas escolas diferentes: uma, mais ligada aos ensinamentos novos dos Takeda, formou o Aikijujutsu, que depois passou a ser Aikibujutsu, Aikibudô e finalmente, Aikidô. A outra, que permaneceu mais ligada às raízes do 'dojô do inferno', ficou sendo conhecida simplesmente como Bujutsu.
     O Bujutsu é uma coletânea de técnicas FUNCIONAIS de tudo aquilo que pode salvar sua vida em uma situação de vida ou morte.
     Portanto, se uma técnica de outra arte marcial provou-se funcional, ela é imediatamente adicionada ao nosso repertório. Se outra técnica nossa, porém, mostrou-se ineficaz, ela é sumariamente eliminada.
     O produto final é uma arte marcial maleável, mutável, adaptável ao estilo de cada um. Nenhum "bujutsu" é igual ao outro - e os praticantes são estimulados a criar seu próprio "bujutsu", baseado naquilo que aprendem.
     Enquanto um praticante, mais alto e magro, pode se beneficiar mais com chutes de longa distância, um menor e mais "denso" pode se beneficiar mais de uma guarda mais fechada e socos rápidos de curta distância.
     E é exatamente esta maleabilidade que torna o bujutsu uma arte eficiente. Os praticantes são também estimulados a testar técnicas de outras artes no treino,
     que tenham visto na televisão e na internet, a visitar outras academias de artes marciais variadas, sempre com o intuito de aprender mais e melhorar o seu próprio repertório.

     No japão feudal, durante as guerras, era necessário ser rápido na eliminação de seus oponentes. Portanto, o bujutsu ensina não a marcar pontos, como os atuais 'esportes marciais', nem como a machucar, como os atuais muai thay e jiu-jitsu. Nós treinamos a ELIMINAÇÃO. A palavra "finalizar", no bujutsu, tem um sentido bem mais 'pesado': é fazer com que a outra pessoa não possa mais reagir, possivelmente para sempre, seja através do aleijamento ou da morte. Por esse motivo, não existem competições de bujutsu. O espírito de competição deve ser completamente suprimido entre os praticantes de bujutsu. A única competição aceita é a consigo mesmo, a busca pela auto-superação. Ao se auto-superar, a superação do próximo torna-se supérflua.
     Ao começar o treino, tradicionalmente se dizia ao entrar no tatame "yoroshiku onegaishimasu", que pode ser traduzido como "por favor, me ensine" e ao mesmo tempo "cedo meu corpo e minha alma ao treino", ou algo parecido com isso. Isso também explica a cor branca dos trajes de treino. O branco é a cor fúnebre no japão, da mesma forma que o preto é nos países ocidentais. Vestir-se de branco para treinar é aceitar a própria morte como certa. Você entrou ali morto, portanto, não há mais nada a perder. Entregue-se de corpo e alma ao treinamento - só assim é que você conseguirá atingir a máxima eficiência obtida pelos samurais.

As técnicas podem ser divididas em 3 ou 4 grupos: Luta em Pé (atemi waza), Luta em Solo (ne waza) Derrubadas (nage waza) e Torções (kansetsu waza), sendo que as duas últimas podem ser fundidas em uma única escola graças à sua semelhança de modus operandi.

Atemi Waza: Técnicas de luta em pé e combate contundente. O praticante aprende a aplicar e se defender de joelhadas, cotoveladas, socos e chutes.

Ne Waza: Técnicas de luta em solo, onde o praticante aprende a imobilizar o adversário, e a aplicação de chaves em diversas posturas de controle, enquanto sendo controlado, imobilizado ou imobilizando.

Nage Waza: Técnicas de projeção, onde o praticante aprende a arremessar o oponente, rolamentos, quedas e afins.

Kansetsu Waza: Técnicas de torção e imobilização, principalmente de pé, já que o ne waza lida sobre isso no solo. Também ensina o praticante a se livrar de torções em geral.

Porém, provavelmente o conceito mais complicado de se lidar no começo da prática de bujutsu é o desprendimento das emoções terrenas: o praticante não deve sentir piedade, ódio, alegria, ou qualquer outra coisa durante o treino e a luta. Embora cultivemos a amizade entre os praticantes, durante o treino e durante os 'sombras' (prática de luta, com velocidade diminuída), é necessário que:
a-) o praticante não sinta pena do seu adversário. Os golpes devem ser aplicados com a intenção de matar.
b-) o praticante não sinta ódio de seu adversário. Os golpes devem ter a intenção de matar, mas sem intenção de MACHUCAR. O conceito é de difícil digestão no princípio.
c-) o praticante não sinta alegria ao vencer. Vencer significa tirar a vida ou incapacitar permanentemente um adversário.
Emoções como ódio, alegria e pena diminuem a eficiência durante a luta, e durante uma guerra, diminuir a eficiência significa perder a própria vida. Este aspecto do bujutsu pode inclusive ser levado para o seu dia-a-dia em qualquer forma de atividade.
     PORTANTO, SE VOCÊ PRATICA BUJUTSU, EVITE TODA A FORMA DE CONFLITO FÍSICO. PORQUE SE VOCÊ SE ENVOLVER EM UM CONFLITO FÍSICO, VOCÊ NÃO DEVE POUPAR SEU ADVERSÁRIO.

     SÓ LUTE QUANDO SUA VIDA ESTIVER EM RISCO, E LUTE PARA DEFENDER A SUA VIDA. SE O PREÇO DE SUA VIDA FOR A VIDA DAQUELE QUE LHE AMEAÇA, QUE ASSIM SEJA.
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